Artigos
Textos sobre TDAH, autismo e saúde mental de adultos. Cada um traz as fontes que sustentam o que afirma, e diz com clareza o que a literatura ainda não estabeleceu. São informativos: nenhum deles estabelece diagnóstico nem substitui a avaliação de um profissional.
Autismo
Shutdown: o que é e como se distingue do meltdown
Shutdown é uma resposta à sobrecarga que acontece para dentro: em vez de extravasar, a pessoa se retrai, a fala diminui ou cessa, o movimento fica lento e o processamento das informações desacelera. Um estudo de 2025 analisou as metáforas que adultos autistas usam para descrevê-lo e identificou seis — entre elas "estar congelado" e "tela azul da morte". Compartilha os mesmos gatilhos do meltdown; o que muda é a direção da resposta.
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Meltdown: o que é, o que costuma precedê-lo e o que ele não é
Meltdown é uma resposta involuntária à sobrecarga — informacional, sensorial, social ou emocional — em que a pessoa perde temporariamente a capacidade de regular o que sente e o que faz. Um estudo com 32 adultos autistas descreveu seis elementos que compõem a experiência, entre eles a perda de acesso ao raciocínio e à memória durante o episódio. Não é birra, não é manipulação e não é escolha: por definição, é involuntário.
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Teoria das colheres: de onde vem a metáfora e o que ela descreve
A teoria das colheres é uma metáfora criada em 2003 pela escritora norte-americana Christine Miserandino para explicar a uma amiga como é viver com lúpus. Nela, cada colher representa uma unidade de energia disponível para as tarefas do dia, e a quantidade é limitada — o que obriga a escolher. Não é uma teoria científica nem um instrumento de medida: é um ensaio de experiência pessoal que se tornou vocabulário comum entre pessoas com condições crônicas.
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Hiperfoco: o que é, e por que não é simplesmente o oposto da desatenção
Hiperfoco descreve um estado de absorção completa numa tarefa, em que a pessoa aparenta ignorar tudo ao redor. O termo aparece com frequência associado a TDAH, autismo e esquizofrenia, mas uma revisão publicada em 2021 na Psychological Research aponta que ele permanece mal definido na literatura científica e pouco estudado quanto aos seus efeitos cognitivos. Não é, portanto, um diagnóstico nem uma medida — é uma descrição de experiência ainda em construção como conceito.
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Alexitimia: o que é e por que dificulta nomear o que se sente
Alexitimia é a dificuldade persistente de identificar e descrever as próprias emoções, frequentemente acompanhada de um estilo de pensamento voltado para fatos externos mais do que para a vida interior. Ela não é um diagnóstico psiquiátrico à parte nos manuais em uso, e sim uma característica que pode ocorrer isoladamente ou junto de outras condições. Não significa ausência de emoção: a pessoa sente, mas tem dificuldade em reconhecer e traduzir em palavras o que sente.
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Burnout autístico: o que é, como se manifesta e como se diferencia
Burnout autístico é descrito na literatura como uma síndrome que resulta de estresse crônico de vida somado a um descompasso entre o que se espera da pessoa e o que ela consegue sustentar, sem apoios adequados. Suas três características centrais são exaustão crônica, perda de habilidades e redução da tolerância a estímulos, com duração prolongada — tipicamente três meses ou mais. Não é o mesmo que burnout ocupacional nem que depressão, e não consta como categoria diagnóstica nos manuais em uso.
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Escritos e revisados por Dr. Diego Tinoco, médico psiquiatra (CRM-MG 58241 · RQE 37921).