ASRS-18
ASRS-18: o que mede e como interpretar o resultado
A ASRS-18 é um instrumento de autorrelato composto por 18 itens sobre sintomas de TDAH em adultos, desenvolvido em conjunto com a Organização Mundial da Saúde. Os 6 primeiros itens constituem a Parte A, que define o resultado do rastreio; os 12 restantes detalham o perfil sintomático para a avaliação clínica. Um resultado positivo na Parte A indica que os sintomas relatados justificam avaliação — não estabelece o diagnóstico de TDAH.
Formato: 18 itens · Parte A (6 itens) define o resultado · Parte B (12 itens) detalha o perfil
O que o ASRS-18 mede?
Os itens descrevem situações do cotidiano adulto associadas a duas dimensões. A primeira é a desatenção: perder o fio do que estava fazendo, deixar tarefas incompletas, esquecer compromissos, adiar atividades que exigem esforço mental sustentado. A segunda é a hiperatividade e impulsividade: inquietação motora, dificuldade de permanecer em repouso, falar em excesso, interromper interlocutores. Em cada item, a pessoa indica a frequência da ocorrência. Os 6 itens da Parte A foram selecionados por regressão logística no estudo original, por constituírem a combinação que melhor discriminou entre participantes com e sem o diagnóstico.
Como interpretar a pontuação do ASRS-18
| Pontuação | Interpretação |
|---|---|
| Parte A com 4 ou mais itens na faixa de corte | Rastreio positivo — sintomas compatíveis com TDAH em adultos; indicada avaliação |
| Parte A abaixo desse limiar | Rastreio negativo — resultado que não exclui o diagnóstico |
| Parte B (12 itens) | Não altera o resultado do rastreio; caracteriza o perfil sintomático |
A ASRS-18 não produz uma pontuação total única. O resultado do rastreio é determinado pela Parte A, e o limiar de frequência varia entre os itens: em alguns, a resposta "às vezes" já atinge o critério; em outros, apenas a partir de "frequentemente". Somar os 18 itens em um único valor não corresponde ao método de correção do instrumento.
Limitações do ASRS-18
- Rastreio positivo não equivale a diagnóstico. O diagnóstico de TDAH em adultos exige a presença de sintomas desde a infância, prejuízo funcional em mais de um contexto de vida — trabalho, estudo, relações, organização doméstica — e a exclusão de outras causas.
- Diversas condições produzem apresentação semelhante. Privação de sono, apneia obstrutiva do sono, disfunção tireoidiana, transtornos de ansiedade, quadros depressivos, uso de substâncias e sobrecarga prolongada cursam com desatenção comparável — e podem coexistir com o TDAH, o que torna a interpretação menos direta.
- O instrumento quantifica a frequência com que os sintomas se manifestam, não o esforço empregado para que não se manifestassem. Uma pessoa que sustenta o funcionamento por meio de estratégias compensatórias pode responder com precisão e ainda assim descrever um cotidiano de aparência mais organizada do que a experiência subjetiva.
- É autorrelato retrospectivo: depende de recordar e estimar a própria frequência de comportamentos, capacidade que o próprio quadro pode comprometer.
- Rastreio negativo reduz a probabilidade do diagnóstico, mas não o exclui.
Como o Emociona utiliza o ASRS-18
No aplicativo, a ASRS-18 representa uma medida pontual. O acompanhamento longitudinal é feito pelos registros diários de energia, foco e sono, que descrevem o funcionamento ao longo das semanas. A combinação das duas fontes oferece ao profissional informação substancialmente mais rica do que um questionário respondido na sala de espera.
Perguntas frequentes
A ASRS-18 estabelece diagnóstico de TDAH?
Não. É um instrumento de rastreio por autorrelato. O diagnóstico de TDAH em adultos é clínico e exige história de sintomas desde a infância, prejuízo funcional em mais de um contexto de vida e a exclusão de outras causas para o quadro.
O que é a Parte A da ASRS?
São os 6 primeiros itens do instrumento, selecionados no estudo original por constituírem a combinação que melhor discriminou entre participantes com e sem o diagnóstico. Quando 4 ou mais desses itens são assinalados na faixa de frequência de corte, o rastreio é considerado positivo.
Um rastreio negativo exclui TDAH?
Não. Um resultado negativo reduz a probabilidade do diagnóstico, sem eliminá-la. O instrumento é um elemento entre outros e não substitui a avaliação profissional.
Referências
- Kessler RC, Adler L, Ames M, et al. (2005). The World Health Organization Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS): a short screening scale for use in the general population. Psychological Medicine, 35(2), 245–256. Ver fonte
- Mattos P, Segenreich D, Saboya E, Louzã M, Dias G, Romano M (2006). Adaptação transcultural para o português da escala Adult Self-Report Scale para avaliação do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em adultos. Revista de Psiquiatria Clínica, 33(4), 188–194 — adaptação brasileira. Ver fonte
Conteúdo escrito e revisado por Dr. Diego Tinoco, médico psiquiatra (CRM-MG 58241 · RQE 37921). Última revisão: 28/07/2026.