PHQ-9
PHQ-9: o que mede e como interpretar a pontuação
O PHQ-9 é um instrumento de rastreio composto por 9 itens, que quantifica com que frequência sintomas depressivos ocorreram nas últimas duas semanas. Cada item recebe de 0 a 3 pontos, de modo que a pontuação total varia de 0 a 27: quanto mais alta, maior a frequência dos sintomas relatados. Ele cumpre duas funções — sinalizar a necessidade de avaliação e acompanhar a evolução ao longo do tempo. Não estabelece diagnóstico: essa é uma definição clínica, feita em consulta.
Formato: 9 itens · pontuação de 0 a 27 · período avaliado: últimas 2 semanas
O que o PHQ-9 mede?
Os 9 itens correspondem aos sintomas que compõem a descrição do episódio depressivo: interesse e prazer nas atividades, humor, sono, energia, apetite, autoimagem, concentração, lentificação ou agitação psicomotora (estar mais lento ou mais inquieto que o habitual, de forma perceptível a outras pessoas) e pensamentos de morte ou de autolesão. Em cada item, a pessoa indica a frequência com que aquilo ocorreu, de "nenhuma vez" a "quase todos os dias", e a pontuação total é a soma dessas respostas. Por medir frequência e não intensidade subjetiva, o instrumento é adequado para uso repetido: comparando aplicações sucessivas, observa-se a direção da mudança.
Como interpretar a pontuação do PHQ-9
| Pontuação | Interpretação |
|---|---|
| 0 a 4 | Sintomas mínimos |
| 5 a 9 | Sintomas leves |
| 10 a 14 | Sintomas moderados |
| 15 a 19 | Sintomas moderadamente graves |
| 20 a 27 | Sintomas graves |
As faixas descrevem a frequência dos sintomas no período avaliado. A pontuação é uma soma simples, sem pesos: todos os itens contribuem igualmente, e o total não identifica quais deles foram assinalados. O item 9, referente a pensamentos de morte ou de autolesão, entra na soma com o mesmo peso dos demais.
Limitações do PHQ-9
- Rastreio e diagnóstico são coisas distintas. Uma pontuação elevada indica a necessidade de avaliação clínica; ela não determina qual condição está presente.
- Vários itens avaliam manifestações inespecíficas. Alterações de sono, fadiga, redução do apetite e dificuldade de concentração ocorrem também em hipotireoidismo, anemia, apneia obstrutiva do sono, efeitos adversos de medicamentos, luto e sobrecarga prolongada — assim como em TDAH e em burnout autístico. O instrumento registra a presença do sintoma, não a sua causa.
- Trata-se de um instrumento de autorrelato: quem responde é a própria pessoa. Isso exige reconhecer e nomear os próprios estados internos, tarefa mais difícil para quem apresenta alexitimia (dificuldade persistente de identificar e descrever as próprias emoções), condição frequente entre pessoas autistas.
- Uma única aplicação tem valor informativo limitado. O rendimento do instrumento está na série histórica: aplicações sucessivas do mesmo questionário, comparadas com as respostas anteriores da própria pessoa.
Como o Emociona utiliza o PHQ-9
No aplicativo, cada aplicação do PHQ-9 fica registrada com data, formando a série histórica, e pode ser exportada. Havendo profissional vinculado, ele acompanha essa evolução mediante autorização da pessoa. O aplicativo não interpreta a pontuação nem atribui categoria diagnóstica.
Perguntas frequentes
O PHQ-9 estabelece diagnóstico de depressão?
Não. Trata-se de um instrumento de rastreio e de monitoramento de sintomas. O diagnóstico de depressão é clínico e considera a história da pessoa, o contexto, a duração dos sintomas, o prejuízo funcional (o quanto o quadro compromete o dia a dia) e a exclusão de outras causas, inclusive causas orgânicas.
Qual pontuação do PHQ-9 é considerada elevada?
A leitura mais utilizada divide o total em cinco faixas: 0 a 4 (mínimos), 5 a 9 (leves), 10 a 14 (moderados), 15 a 19 (moderadamente graves) e 20 a 27 (graves). No estudo brasileiro conduzido em Pelotas com população geral, o ponto de corte acima de 9 apresentou sensibilidade de 77,5% — proporção de pessoas com o diagnóstico corretamente identificadas — e especificidade de 86,7% — proporção de pessoas sem o diagnóstico corretamente descartadas (Santos et al., 2013).
Com que intervalo o PHQ-9 pode ser repetido?
O período avaliado é de duas semanas; aplicações com intervalo menor produzem períodos sobrepostos. Em acompanhamento, intervalos de duas a quatro semanas costumam ser suficientes para evidenciar a direção da mudança.
O que avalia o item 9 do PHQ-9?
O item 9 investiga a presença de pensamentos de que seria melhor estar morto ou de se machucar, e integra a soma como os demais itens. Se você apresenta esses pensamentos neste momento: o CVV atende pelo telefone 188, gratuitamente, 24 horas por dia. Em emergência, acione o 192 (SAMU) ou procure um pronto-socorro.
Referências
- Kroenke K, Spitzer RL, Williams JBW (2001). The PHQ-9: validity of a brief depression severity measure. Journal of General Internal Medicine, 16(9), 606–613. Ver fonte
- Santos IS, Tavares BF, Munhoz TN, et al. (2013). Sensibilidade e especificidade do Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) entre adultos da população geral. Cadernos de Saúde Pública, 29(8), 1533–1543 — estudo de validação brasileiro, em Pelotas (RS). Ver fonte
Conteúdo escrito e revisado por Dr. Diego Tinoco, médico psiquiatra (CRM-MG 58241 · RQE 37921). Última revisão: 28/07/2026.